Episódio 8

Júlia — Trainee em Cloud e Segurança

Por · · Trainee em Segurança e Operações em Cloud

Neste episódio do Fale com o Estagiário, a Júlia, trainee em segurança e operações em cloud, conta como chegou à tecnologia depois de passar por jogos, lives, uma tentativa na área da saúde e uma mudança para análise e desenvolvimento de sistemas.

A conversa passa por primeiro estágio, prova de lógica no papel, Laravel e PHP, migração para infraestrutura, rotina em blue team, certificações, trabalho remoto, IA em segurança e o que estudar para entrar em cloud security.

O que você vai ver neste episódio

  • Como Minecraft, curiosidade por computadores e lives durante a pandemia abriram caminho para tecnologia
  • A transição de terapia ocupacional para análise e desenvolvimento de sistemas
  • Como a Júlia conseguiu o primeiro estágio em frontend e fez uma prova de programação no papel
  • A mudança de frontend para infraestrutura, Linux, redes e segurança da informação
  • Rotina em blue team, SOC, monitoramento contínuo, observabilidade e ambientes multicloud
  • Certificações, homelab, portfólio, faculdade presencial, trabalho remoto e IA aplicada à segurança

Da curiosidade com computadores à mudança de carreira

A Júlia conta que sempre teve uma relação próxima com computadores, mesmo antes de pensar em carreira. Jogar Minecraft, mexer no próprio PC e desmontar coisas por curiosidade ajudaram a criar uma base intuitiva sobre sistemas, infraestrutura e funcionamento de máquinas.

Durante a pandemia, ela chegou a fazer lives e se aproximou do universo gamer, mas ainda não tinha investido em uma carreira técnica. Depois de voltar para Brasília, tentou terapia ocupacional, percebeu que a área não combinava com ela e decidiu entrar em análise e desenvolvimento de sistemas em 2024.

A transição também veio com contexto: ela teve apoio da família para estudar e reconhece que mudar de carreira pode ser muito mais difícil para quem precisa se sustentar sozinho. Ainda assim, defende que tecnologia pode abrir portas reais para quem está infeliz em outra área.

O primeiro estágio: frontend, PHP e prova no papel

O primeiro estágio veio em 2025, ainda no segundo semestre da faculdade. A busca foi bem direta: pesquisar vagas de estágio em TI no Google, entrar em plataformas de talentos e se inscrever no maior número possível de oportunidades.

O processo seletivo que deu certo tinha uma etapa curiosa: uma prova de programação feita no papel, com lógica de programação e fundamentos básicos. Como ela já estudava algoritmos por fora, a prova acabou sendo tranquila.

No trabalho, começou em frontend, mas mexia com uma stack mais full stack, principalmente Laravel e PHP. Mesmo não sendo a trilha final dela, esse período deu base de desenvolvimento e ajudou na transição posterior para infraestrutura e segurança.

Da infraestrutura para segurança em cloud

Depois de alguns meses no estágio, o interesse por Linux, redes e infraestrutura chamou a atenção do pessoal de segurança. O convite para ir para essa área acabou sendo, segundo ela, uma das melhores decisões da trajetória.

A Júlia destaca que segurança da informação exige fundamentos muito concretos: redes de computadores, sistemas operacionais, Windows, Linux, Active Directory, servidores, comunicação entre máquinas e uma visão sistêmica de como infraestruturas funcionam por baixo dos panos.

Hoje ela atua em uma empresa de cibersegurança de Portugal como trainee em segurança e operações em cloud. O trabalho envolve implementação de sistemas de monitoramento, suporte a um SOC menor, resposta e escalonamento de alertas, observabilidade, single sign-on e operação em ambientes multicloud.

Blue team, SOC e ambientes multicloud

A área da Júlia está mais próxima de blue team: defesa, monitoramento, resposta a alertas e fortalecimento de ambientes. A rotina passa por AWS, GCP, Azure, Kubernetes, VMs, Terraform, Ansible e automação de infraestrutura.

Como cada cliente tem uma infraestrutura diferente, a variedade técnica é grande. Em vez de uma stack única, o trabalho exige adaptar ferramentas de segurança, observabilidade e automação ao desenho de cada ambiente.

Ela também comenta que homelabs, publicações no LinkedIn e demonstrações públicas de estudo podem pesar bastante, especialmente em cloud e segurança, porque mostram interesse real e prática além do currículo.

Certificações e o que estudar para segurança

Para quem quer seguir um caminho parecido, a Júlia coloca redes de computadores como prioridade. Linux também aparece como base central, mas não apenas como uso de desktop: é importante entender servidores, comunicação, defesa, ataque e como o sistema aparece em ambientes reais.

Sobre certificações, ela vê valor principalmente em cloud. Certificações de Azure, AWS e segurança podem chamar atenção, mas a recomendação não é colecionar selos sem prática. Security+ aparece como uma boa certificação de entrada por cobrir fundamentos de segurança, redes, sistemas operacionais e governança.

A mensagem principal é equilibrar estudo formal, prática pública e fundamentos. Certificação ajuda, portfólio ajuda, homelab ajuda, mas o que sustenta tudo é entender a base técnica que aparece no trabalho de verdade.

IA, trabalho remoto e rotina de aprendizado

Na parte de inteligência artificial, a Júlia tem uma visão ambígua: IA ajuda times de defesa a construir sistemas mais robustos e acelerar análises, mas também aumenta a capacidade de atacantes criarem golpes, sites falsos e novas superfícies de ataque.

Ela também alerta para o risco de código gerado sem revisão, especialmente quando alguém cria endpoints, automações ou serviços sem entender as implicações de segurança. Para ela, IA pode fortalecer defesas, mas não substitui revisão, processo e conhecimento técnico.

O trabalho remoto trouxe mais autonomia e qualidade de vida depois de uma experiência presencial com longos deslocamentos em Brasília. Ao mesmo tempo, exige independência para estudar, resolver problemas e se organizar sem depender de alguém sempre ao lado.

Perguntas frequentes

O que estudar para entrar em cloud security?

A Júlia recomenda começar por redes de computadores, Linux, sistemas operacionais, Active Directory, programação básica, servidores e fundamentos de infraestrutura antes de aprofundar em cloud, SOC e ferramentas de segurança.

Certificação é importante para trabalhar com segurança em cloud?

Sim, principalmente em cloud, mas ela destaca que certificações fazem mais sentido quando vêm acompanhadas de prática, homelab, projetos e demonstração pública de interesse técnico.

Como foi o primeiro estágio da Júlia em tecnologia?

Ela encontrou a vaga pesquisando estágios em TI, fez uma prova de lógica de programação no papel e começou em frontend/full stack com Laravel e PHP antes de migrar para infraestrutura e segurança.

A IA ajuda ou atrapalha a segurança da informação?

Na visão da Júlia, as duas coisas. IA pode acelerar defesa e automação, mas também aumenta vetores de ataque e exige mais cuidado com revisão de código, processos e exposição de sistemas.